domingo, 13 de julho de 2014

Cerrado Brasileiro


O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional e pequenas porções da Bolívia e do Paraguai. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.


Considerado como um hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam uma notável alternância de espécies entre diferentes fitofisionomias. Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. O número de peixes endêmicos não é conhecido, porém os valores são bastante altos para anfíbios e répteis: 28% e 17%, respectivamente. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.

Com estações do ano bem definidas, sendo o inverno seco e o verão chuvoso, o cerrado é um dos maiores berços da diversidade natural do país. Suas heranças vão desde uma fauna riquíssima, até uma flora exuberante. O ambiente conta com um clima do tipo tropical sazonal. O inverno é bem seco com uma mínima de 10°C, chegando até valores bem menores do que os estipulados. O verão tem uma máxima de 40°C, apresentando-se chuvas intensas. Em geral, a média para o ano todo desse bioma gira em torno de 25°C. As chuvas resultam numa precipitação de no máximo 1800 mm, sendo que os meses de março a outubro são os mais chuvosos. Acontecem os períodos de veranico, tempo de seca, entre a primavera e o verão.

A grande heterogeneidade espacial do Cerrado, onde diversas fitofisionomias alternam-se na paisagem, está bastante ligada à variação dos solos e de suas características (composição química, profundidade, tipo de drenagem) (LOPES; COX 1977). Fatores ligados à geomorfologia e evolução do relevo determinam fortemente os tipos de solos e terrenos do Cerrado, favorecendo a diversidade de paisagens e ambientes. De modo geral, a região do Cerrado pode ser definida como um domínio de planaltos antigos, com topografia suave ou levemente ondulada, em geral acima dos 500 m, entrecortados por depressões periféricas, lentamente erodidas pelas principais drenagens do Brasil Central, como a alta Bacia Platina, o complexo Tocantins-Araguaia e o alto curso da Bacia do Parnaíba. Castro (1994) sugere a existência de três grandes supercentros de biodiversidade: cerrados do Sudeste Meridional, cerrados do Planalto Central e cerrados do Nordeste. A discriminação desses supercentros ocorreria devido a, principalmente duas, barreiras climáticas: o polígono das secas e das geadas e as cotas altimétricas de 400 m - 500 m e 900 m - 1.000 m de altitude média.
Ou seja, o padrão da distribuição das espécies vegetais é determinado por variações na altitude e latitude. Os supercentros de biodiversidade de cerrados são oito grupos distintos, sendo dois em São Paulo e sul de Minas Gerais (cerrados do Sudeste Meridional), três grupos de cerrados do Planalto Central (cerrados do Brasil Central), um grupo do Nordeste (cerrados do Piauí e Maranhão), um grupo do Pantanal (cerrados do Brasil Central localizados na região do Pantanal) e por fim um grupo de cerrados do Litoral (cerrados associados a Tabuleiros Litorâneos em sua maioria).


 As aves do Cerrado possuem diferentes idades. Identifica-se um grupo de espécies mais antigas (anterior à transição do Plioceno-Pleistoceno), ligado às formações campestres e savânicas, e um grupo mais recente, associado com as formações florestais dentro do Cerrado. Consequentemente sugere-se a existência de pelo menos três centros de endemismo para o domínio: a Cadeia do Espinhaço (Minas Gerais e Bahia), o Vão do Paraná (Goiás e Tocantins) e o Vale do Araguaia (Mato Grosso, Tocantins e leste do Pará).

A fauna de invertebrados do cerrado é muito rica e inclui animais pertencentes a aproximadamente 16 filos, no Brasil central. Dentre os invertebrados existentes cerca de 1,5 milhões de espécies são de artrópodes, mas acredita-se que esse número traduza somente uma pequena fração do que deve existir. Os artrópodes desenvolvem grande função ecológica no ecossistema, pois ocupa uma grande diversidade de micro-habitats e nichos, desta forma desempenham atividades regulatória do ecossistema. Insetos e Aranhas são provavelmente os maiores reguladores de circulação de energia e ciclo de nutrientes em ecossistemas tropicais. Artrópodes também são bons bioindicadores sensíveis da interferência humana na qualidade do habitat, devido à alta diversidade de espécies e alta ligação física e biológica com os habitats. Estima-se que exista no Cerrado cerca de 13.000 espécies de lepidópteros (borboletas e mariposas), 820 de abelhas, 139 de vespas, 350 de formigas, 116 de cupins, 49 de aranhas e 13 de louva-deus. Apesar disso, a região Centro-Oeste é classificada como a que reúne menor conhecimento sobre invertebrados terrestres, isto reflete o principal problema para a conservação de invertebrados. Fazem parte da fauna da savana brasileira: antas, gambás, lontras, capivaras, tatus, tamanduás-bandeira, preguiça e onças-pintadas. 
Os pássaros são: tucanos, urubus, garças, águias, beija-flores e canários como os mais conhecidos. Conta também com a presença de um acervo de peixes como: lambaris, piabas, bagres, piranhas e dourados.

 A flora do Cerrado é riquíssima. Tomando uma atitude conservadora, pode-se estimar que a flora do bioma do cerrado como sendo constituída por cerca de 3.000 espécies, sendo 1.000 delas do estrato arbóreo-arbustivo e 2.000 do herbáceo-subarbustivo. Como famílias de maior expressão destacamos as Leguminosas (Mimosaceae, Fabaceae e Caesalpiniaceae), entre as lenhosas, e as Gramíneas (Poaceae) e Compostas (Asteraceae), entre as herbáceas. Em termos de riqueza de espécies, esta flora deve ser superada apenas pelas florestas amazônicas e pelas florestas atlânticas. Outra característica é a heterogeneidade de sua distribuição, havendo espécies mais típicas dos Cerrados da região norte, outras da região centro-oeste, outras da região sudeste etc. Por esta razão, unidades de conservação, com áreas significativas, deveriam ser criadas e mantidas nas mais diversas regiões do Domínio do Cerrado, a fim de garantir a preservação do maior número de espécies da flora deste Bioma, bem como da fauna a ela associada.

 Duzentas mil espécies de vida, sendo grande parte vegetativa. Em menos de trinta anos a região pode desaparecer caso os índices de desmatamento no diminuam em níveis consideráveis. De certa forma, pode ser considerado como o primo pobre da vegetação brasileira conhecida no mundo por ser tropical e exuberante. A beleza das espécies está nos detalhes das paisagens rústicas e tortas.

Quase ¼ da vegetação brasileira se encontra adormecida quando o cerrado passa pelos períodos de seca que duram em média seis meses. Quando parece que tudo está morto, a chuva volta e aplica a “ressurreição” nas espécies que retomam o crescimento como se nada tivesse acontecido. O cerrado brasileiro é considerado como savana mais rica do mundo, estando acima de países da África em nível de biodiversidade animal e vegetal. Historiadores afirmam que para ter as características da atualidade demoro a região demorou mais de trinta milhões de anos.

O bioma do cerrado está no topo de lista entre os biomas com maior idade no Brasil, estando na frente de longe da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica, ambos de aproximados dez mil anos. Especialistas atestam que não existe formato único na vegetação do Cerrado. A diversidade representa a característica básica em toda extensão, como zonas campestres abertas, campos limpos, e os cerradões, que são as florestas densas. Basta percorrer por alguns quilômetros na região para tonar a singularidade e diversidade. Os mosaicos de longas manchas no terreno estão presentes, representado o resultado das constantes queimadas naturais e proporcionadas pelas ações dos seres humanos, que também prejudicam a fisionomia vegetativa com derrubadas para obter lenha ou carvão. De modo científico podem ser destacados dois tipos de extratos vegetativos: Lenhoso, composto por árvores longas, ou, herbáceo, caracterizado pela ampla presença de ervas e derivados. A singularidade da parte herbácea do cerrado está na ausência de longas sombras que se formam nos conjuntos vegetativos com maior cobertura das árvores. De certa forma, excesso de luz prejudica o desenvolvimento das espécies na região. Os dois extratos estão presentes de forma misturada, com cada conjunto competindo para estabelecer o crescimento em partes isoladas. No Cerrado, árvores e ervas não formam paisagens integradas e harmoniosas. São antagonistas por dependerem de alta quantidade do calor e da luz para se desenvolverem. O benefício para alguma espécie pode prejudicar de forma direta outra família.

A diferença entre espécies é considerada explícita até mesmo para quem não tem título de especialistas em botânica. As floras trazem como característica a presença de raízes profundas resistentes contra as ações do excesso de calor gerado pela seca. As árvores têm ramos tortuosos e grossos. O solo permite às raízes atingirem até quinze metros de profundidade, retirando água nas camadas úmidas encontradas na profundidade – zona que fica sempre úmida, independente do período da seca. Já as plantas trazem raízes superficiais superiores a trinta centímetros de profundidade no solo. Os ramos secam com a chegada da seca, funcionando com combustível natural que se inflama rapidamente, aumentando a queimada no Cerrado.

Há ampla diversidade de rochas calcárias, grutas e cavernas com tamanhos variáveis. Interessante notar que por cima dos rochedos existem vegetações do tipo silvestre. Os solos são compostos por bastante PH ácido, com alto índice de fertilidade natural. Elevado nível de alumínio. Traz diversificação com cobertura vegetal abrangendo quase 20% de todo país. As árvores podem chegar a vinte metros de altura. Dentro dos chapadões arenosos podem ser encontrados cactos, orquídeas e bromeliáceas. Há ainda a presença de diversas espécies ainda não catalogadas pelos pesquisadores brasileiros. Conjunto vegetativo que pode ser instinto antes mesmo de ser aproveitado em terras nacionais.


REFERÊNCIAS

Castro, A. A. J. F. Comparação florística de espécies do cerrado.  Silvicultura , São Paulo, v. 15, n. 58, p.16 8, nov./dez, 1994  

Dias, I & Morais, H. C. de. 2007. Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação. In: Cerrado e Pantanal: Áreas e ações prioritárias para conservação. Ministério do Meio Ambiente – Brasília: MMA. Pp: 143 – 172.

Glauber O. Rocha, Morel C. B. Netto, Luciano R. P. Lozi. Diversidade, riqueza e abundância da entomofauna edáfica em área de cerrado do Brasil Central http://www.seb-ecologia.org.br/viiceb/resumos/1036a.pdf

Lopes, A. S.; COX, F. R. Cerrado vegetation in Brazil: an edaphic gradient.  Agronomy Journal, Madison, v. 69, p. 828-831, 1977.


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